domingo, outubro 28, 2007

TENTAÇÃO - Clarice Lispector

Ela estava com soluço. E como se não bastasse a claridade das duas horas, ela era ruiva.

Na rua vazia as pedras vibravam de calor - a cabeça da menina flamejava. Sentada nos degraus de sua casa, ela suportava. Ninguém na rua, só uma pessoa esperando inutilmente no ponto do bonde. E como se não bastasse seu olhar submisso e paciente, o soluço a interrompia de momento a momento, abalando o queixo que se apoiava conformado na mão. Que fazer de uma menina ruiva com soluço? Olhamo-nos sem palavras, desalento contra desalento. Na rua deserta nenhum sinal de bonde. Numa terra de morenos, ser ruivo era uma revolta involuntária. Que importava se num dia futuro sua marca ia fazê-la erguer insolente uma cabeça de mulher? Por enquanto ela estava sentada num degrau faiscante da porta, às duas horas. O que a salvava era uma bolsa velha de senhora, com alça partida. Segurava-a com um amor conjugal já habituado, apertando-a contra os joelhos.

Foi quando se aproximou a sua outra metade neste mundo, um irmão em Grajaú. A possibilidade de comunicação surgiu no ângulo quente da esquina acompanhando uma senhora, e encarnada na figura de um cão. Era um basset lindo e miserável, doce sob a sua fatalidade. Era um basset ruivo.

Lá vinha ele trotando, à frente da sua dona, arrastando o seu comprimento. Desprevenido, acostumado, cachorro.

A menina abriu os olhos pasmados. Suavemente avisado, o cachorro estacou diante dela. Sua língua vibrava. Ambos se olhavam.

Entre tantos seres que estão prontos para se tornarem donos de outro ser, lá estava a menina que viera ao mundo para ter aquele cachorro. Ele fremia suavemente, sem latir. Ela olhava-o sob os cabelos, fascinada, séria. Quanto tempo se passava? Um grande soluço sacudiu-a desafinado. Ele nem sequer tremeu. Também ela passou por cima do soluço e continuou a fitá-lo. Os pêlos de ambos eram curtos, vermelhos.

Que foi que se disseram? Não se sabe. Sabe-se apenas que se comunicaram rapidamente, pois não havia tempo. Sabe-se também que sem falar eles se pediam. Pediam-se, com urgência, com encabulamento, surpreendidos.

No meio de tanta vaga impossibilidade e de tanto sol, ali estava a solução para a criança vermelha. E no meio de tantas ruas a serem trotadas, de tantos cães maiores, de tantos esgotos secos - lá estava uma menina, como se fora carne de sua ruiva carne. Eles se fitavam profundos, entregues, ausentes do Grajaú. Mais um instante e o suspenso sonho se quebraria, cedendo talvez à gravidade com que se pediam.

Mas ambos eram comprometidos.

Ela com sua infância impossível, o centro da inocência que só se abriria quando ela fosse uma mulher. Ele, com sua natureza aprisionada.

A dona esperava impaciente sob o guarda-sol. O basset ruivo afinal despregou-se da menina e saiu sonâmbulo. Ela ficou espantada, com o acontecimento nas mãos, numa mudez que nem pai nem mãe compreenderiam. Acompanhou-o com olhos pretos que mal acreditavam, debruçada sobre a bolsa e os joelhos, até vê-lo dobrar a outra esquina.

Mas ele foi mais forte que ela. Nem uma só vez olhou para trás.

Clarice Lispector. in "Felicidade Clandestina" - Ed. Rocco - Rio de Janeiro, 1998

quarta-feira, outubro 03, 2007

Enchantagem - Paulo Leminski

de tanto não fazer nada
acabo de ser culpado de tudo

esperanças, cheguei
tarde demais como uma lágrima

de tanto fazer tudo
parecer perfeito
você pode ficar louco
ou para todos os efeitos
suspeito
de ser verbo sem sujeito


pense um pouco
beba bastante
depois me conte direito

que aconteça o contrário
custe o que custar
deseja
quem quer que seja
tem calendário de tristezas
celebrar

tanto evitar o inevitável
in vino veritas
me parece
verdade

o pau na vida
o vinagre
vinho suave

pense e te pareça
senão eu te invento por toda a eternidade

quarta-feira, julho 25, 2007




À estilosa e excêntrica amiga/ estudante/ cozinheira/ pintora/ designer, sonhadora, etc. etc. [muitas qualidades pra uma mesma pessoa! quase uma Da Vinci!] deixo um versinho de Mário Quintana, como homenagem no dia de seu natalício!

bjo naninha! =D***

"Esses que pensam que existem sinônimos, desconfio que não sabem distinguir as diferentes nuanças de uma cor."

P.S.: mas porque você escolheu essa cor? =P

domingo, julho 22, 2007

Primeiro foram comunidades. Muitas comunidades que faziam referência à música da banda. Depois, tava lá "O Teatro Mágico" para as apresentações do Festival de Circo do Recife. Infelizmente não pude ir, mas quando soube da vinda deles pra cá, busquei informações e as músicas mesmo (na comunidade oficial todas as músicas estão disponibilizadas.)
AH, aí 'cabou-se. A música deles é sutil, cheia de mensagens e muito lírica (se não for, quero que seja, e AI daquele que me venha perguntar o que é o lírico ou seu conceito).
Na árdua escolha entre "Pratododia", "Sintaxe à Vontade", "O Anjo Mais Velho" e tantas outras, decidi postar "Ana e o Mar". Não me pergunte porque, pois todas elas falam tanto ou mais que esta apresentada.
Para conhecer mais, é só acessar:
www.oteatromagico.mus.br ou www.teatromagico.blogger.com.br


Ana e o Mar
O Teatro Mágico
Composição: Fernando Anitelli


Veio de manhã molhar os pés na primeira onda
Abriu os braços devagar e se entregou ao vento
O sol veio avisar que de noite ele seria a lua,
Pra poder iluminar Ana, o céu e o mar

Sol e vento, dia de casamento
Vento e sol, luz apagada no farol
Sol e chuva, casamento de viúva
Chuva e sol, casamento de espanhol

Ana aproveitava os carinhos do mundo
Os quatro elementos de tudo
Deitada diante do mar
Que apaixonado entregava as conchas mais belas
Tesouros de barcos e velas
Que o tempo não deixou voltar

Onde já se viu o mar apaixonado por uma menina?
Quem já conseguiu dominar o amor?
Por que é que o mar não se apaixona por uma lagoa?
Porque a gente nunca sabe de quem vai gostar

Ana e o mar... mar e Ana
Histórias que nos contam na cama
Antes da gente dormir

Ana e o mar... mar e Ana
Todo sopro que apaga uma chama
Reacende o que for pra ficar

Quando Ana entra n'água
O sorriso do mar drugada se estende pro resto do mundo
Abençoando ondas cada vez mais altas
Barcos com suas rotas e as conchas que vem avisar
Desse novo amor... Ana e o mar

domingo, julho 15, 2007

E é chegando ao final que a gente lembra do início. Essa frase não é minha, acho que vi num filme se não me engano...
Pois é, daqui a seis meses vou concluir meu LINDO curso de História, e por esses dias lembrei da época do 3º ano... pense num ano que não fiz nada que um vestibulando normal faz! só estudava História e lia Erico Veríssimo! KKKKKK Aí achei a lista dos livros que li e achei também uma foto minha nos dias do vestibular da Upe: eu com um livro de História na mão, e ao lado, um livro de Erico. Realmente, já estava determinado: História e Literatura tomariam conta da minha vida acadêmica! =D

A lista:
- Solo de Clarineta I
- Solo de Clarineta II
- Israel em Abril
- As Aventuras de Avião Vermelho
- Os Três Porquinhos Pobres
- Rosa Maria no Castelo Encantado
- O Urso-Com-Música-Na-Barriga
- A Vida do Elefante Basílio
- Outra Vez Os Três Porquinhos
- Fantoches e Outros Contos
- México
- Olhai Os Lírios do Campo
- Incidente em Antares
- Galeria Fosca
- O Prisioneiro
- Noite
- Gato Preto em Campo de Neve
- A Volta do Gato Preto

domingo, julho 01, 2007

"Falo: português, alemão, francês, inglês, espanhol, italiano, esperanto, um pouco de russo; leio: sueco, holandês, latim e grego (mas com o dicionário agarrado); entendo alguns dialetos alemães; estudei a gramática: do húngaro, do árabe, do sânscrito, do lituano, do polonês, do tupi, do hebraico, do japonês, do checo, do finlandês, do dinamarquês; bisbilhotei um pouco a respeito de outras. Mas tudo mal. E acho que estudar o espírito e o mecanismo de outras línguas ajuda muito à compreensão mais profunda do idioma nacional. Principalmente, porém, estudando-se por divertimento, gosto e distração."
João Guimarães Rosa

depois de ler isso, percebi que tenho ainda muito trabalho pela frente...

domingo, maio 13, 2007

Dia: 30 de Abril de 2007
Local: Shopping Recife
Evento: Show do Móveis Coloniais de Acaju

Bem, isso não diz nada pra muitas pessoas. Mas pra quem conhece o grupo sabe que foi uma ótima oportunidade de ver essa banda de Brasília muuuito de pertinho! Foi o MAIOR show POCKET que eu já estive! Das 12 músicas do Cd - Idem, eles cantaram 9! Fora o "bonus" do "Se essa rua, se essa rua fosse minha...."
Pude comprar o cd e agora ele não sai do meu microsystem. As músicas são realmente ótimas! As letras não dizem o óbvio. Na verdade, convidam a uma reflexão ou mesmo tem somente a intenção de divertir. O importante é aproveitar o som, do jeito que for.

No site da banda [ www.moveiscoloniaisdeacaju.com.br ] é possível baixar as músicas do cd e do ep, além de conhecer mais sobre a banda, shows e blogs dos integrantes. Vou deixar a letra da música "Cego", que tem por subtítulo "Registro de uma inspiração alheia". É a música do momento pra mim. =***


Cego
Letra e Música: Roberto Mejía

Quando vi, parado ali,
Um cego a se questionar porquê
Não via só a luz do sol
Como a cor do céu


Direcionou o olhar a mim
Enquanto evitava o encontro ao seu
E com tristeza no falar
Também me perguntou:


"será mesmo, realmente
amarelo o sol, e azul o céu
por que não ser lilás, vermelho
ou quem sabe seja apenas som?"


Agoniado ao pensar
No que o cego estava a falar
Olhos azuis a escurecer
Meu Deus, o que vai ser


Sentei, chorei e compreendi
Que não havia só um cego ali
E perturbado ao dizer,
Escute aí você:


"quem é que não enxerga aqui
será eu ou você que não percebe?"




quarta-feira, abril 11, 2007

Achei essa citação numa comunidade no Orkut dedicada à Gilberto Freyre. Eu sempre me interesso pelos pensamentos que as pessoas expressam sobre si mesmas, como o de Foucault que eu coloquei aqui no meu perfil. Escrever sobre os outros é fácil, mas difícil mesmo é se auto-definir...

«Se me perguntarem quem sou,
direi que não sei classificar-me.
Não sei definir-me.
Sou um sensual e um místico.
Conservador em umas coisas, revolucionário em outras.
Sou um brasileiro de Pernambuco.
Sou sedentário e ao mesmo tempo nômade.
Gosto dos meus chinelos e gosto de viajar.
Meu nome é Gilberto Freyre.»

sábado, março 17, 2007

Séculos e séculos que não posto aqui. Foram muitas mudanças que ocorreram desde então, afinal além de História na Upe, inventei de começar Letras na Ufpe. Vida de universitário é stressante, mas vicia também! =P

Mas as mudanças foram além do campo acadêmico, e já são bem perceptíveis no meu cotidiano.

Bem, é importante dizer que eu descobri nesse meio tempo que a frase que dá nome ao endereço do blog: "elephantes amarillos" não é de um poema de Viggo Mortensen. Na verdade é chamado "Otro", do livro "Corazón Amarillo" de Pablo Neruda. De uma forma ou de outra, continuou dentro do meu gosto, então tá ótimo! =D

Vou deixar a letra de uma música que descobri a pouco, por mais que a banda esteja nas graças de todos há tempos.

=D***

Antes das Seis - Legião Urbana

Quem inventou o amor?
Me explica por favor
Quem inventou o amor?
Me explica por favor

Vem e me diz o que aconteceu
Faz de conta que passou
Quem inventou o amor?
Me explica por favor

Daqui vejo seu descanso
Perto do seu travesseiro
Depois quero ver se acerto
Dos dois quem acorda primeiro

Quem inventou o amor?
Me explica por favor
Quem inventou o amor?
Me explica por favor

Enquanto a vida vai e vem
Você procura achar alguém
Que um dia possa lhe dizer
"-Quero ficar só com você."

Quem inventou o amor?

sábado, setembro 02, 2006

“Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão.
Mas no fundo isso não tem importância.
O que interessa mesmo não são as noites em si, são os sonhos.
Sonhos que o homem sonha sempre. Em todos os lugares.
Em todos as épocas do ano.
Dormindo ou acordado.”

William Shakespeare's A Midsummer Night's Dream

sexta-feira, dezembro 30, 2005

Mais uma de Mário Quintana! Para a minha definição...

INSCRIÇÃO PARA UMA LAREIRA

A vida é um incêndio: nela

dançamos, salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!

Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida...

domingo, dezembro 04, 2005

De momentos em momentos eu reapareço aqui, com mais uma música... um poema.

Ontem descobri que o poema de Quintana com o qual me nomeei "salamandra mágica" é maior do que eu sabia! Hoje deixo ele aqui na íntegra.


Inscrição para uma lareira

A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas.
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!

Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida...



Mário Quintana

domingo, setembro 25, 2005

Momento "Cirque du Soleil" da minha vida. Acabei de comprar o dvd! E essa é umas das poucas músicas que pode se entender, porque o resto tá na língua dos ciganos.

Espetáculo: Varekai (significa "em qualquer lugar" na língua dos ciganos romenos)
Música: Rain One

Falling... (Me caigo)
Fall of an angel...
You can see the fall...
When you're feeling high...
(Yo estoy dentro de las sombras)
When you kiss the earth
Angel of your mind I'm
Flowing through you

Dentro de tus suegos mas profundos
Yo te oigo me llamas (Celestial)
Tus miedos profundos
Me ves cayendo
Me caigo (Falling)
Vivo dentro de tu spiritu
(Fall of an angel)
La tiendo dentro de tu corazon

You can see the fall... Angel...
In your deepest dreams…

Sufriendo, fluyendo dentro de ti
(Fall of an angel)
Besando la tierra
Asciende te, levantando te
Fluyendo dentro de ti
Atraves de ti
Cuando te lavantas
Cuando esta triste
Cuando lloras con la lluvia

As oceans collide
From the moon grows the sun
I'm wasting my breath
With no name and no one

Silence of the sound
And the color of the night
And the sound from the thought
And the thought from light

Fluid and sinking
I melt into the light
With nothing but space
And my soul can't take flight

(When you’re feeling high…)
(When you’re feeling…down…)


Silence of the sound
And the color of the night
The sound from the thought
And the thought from light

Fall of an angel...
Falling...

domingo, maio 01, 2005

E aííííí gente!
O segundo milagre do ano! Eu tô atualizando antes de completar um mês do post anterior! Mas há um motivo especial para isso. Hoje é o aniversário de um ano desse blog suuuuuper movimentado! De fato, ele não é super movimentado, mas é visitado por todos aqueles que são importantes na minha vida, então isso já faz dele um "lugar" especial!

Dessa vez vou colocar aqui uma música que "descobri" um dia desses, de Elis Regina. A letra não é nada de mais, mas coloco em homenagem a mim e a minha prima Jadna, aos rainhas do mês! KKKKK.
Parabéns pra tu Jadna! Muitas felicidadessss! Daqui a três semanas eu tomo conta desse processo aniversarístico!! :D

Vento de Maio - Elis Regina

Vento de raio rainha de maio estrela cadente
Chegou de repente o fim da viagem
Agora já não dá mais pra voltar atrás
Rainha de maio valeu o teu pique
Apenas para chover no meu piquenique
Assim meu sapato coberto de barro
Apenas pra não parar nem voltar atrás
Rainha de maio valeu a viagem
Agora já não dá mais...

Nisso eu escuto no rádio do carro a nossa canção
Sol girassol e meus olhos ardendo de tanto cigarro
E quase que eu me esqueci que o tempo não pára
Nem vai esperar
Vento de maio rainha dos raios de sol
Vá no teu pique estrela cadente até nunca mais
Não te maltrates nem tentes voltar o que não tem mais vez
Nem lembro teu nome nem sei
Estrela qualquer lá no fundo do mar
Vento de maio rainha dos raios de sol

Rainha de maio valeu o teu pique
Apenas para chover no meu piquenique
Assim meu sapato coberto de barro
Apenas pra não parar nem voltar atrás

domingo, abril 17, 2005

Gente, eu não morri! :D :D :D :D
A vida é muito complicada, o tempo é curto e o alemão é difícil! :P
E, como eu tô escrevendo aqui só pra minha conta não expirar (de fato, eu já tava com medo de que isso acontecesse), eu vou colocar um poema de novo! Tem problema? Hoje não vai ser Mário Quintana, e sim Gregório de Matos. Não achem que tô triste/melancólica, por que não tô. É porque eu gosto desse poema há muito tempo, acho bem intenso.
Dúvidas, sugestão e comentários serão muito bem aceitos!

B-jo pra vcs!

"Moraliza o Poeta nos Ocidentes do Sol a Inconstância dos Bens do Mundo"

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância."

quinta-feira, janeiro 06, 2005

Ok Ok,

Ano novo. 2005. Por que é tão fácil dizer "como o ano passou rápido!" e quase impossível dizer "esse ano sim, vai passar rápido". É triste saber que nós só percebemos as coisas quando elas já passaram. O que eu quero aprender nesse ano, e o que desejo a todos é que aprendam a viver o MOMENTO. Estar num lugar ou com uma pessoa e saber viver aquele momento - aproveitar casa minuto, cada sorriso, cada gesto, cada palavra falada de modo engraçado, cada sensação -, sem estar pensando no feijão que vai colocar pra cozinhar quando chegar em casa, ou no problema da faculdade que tem que resolver no dia seguinte. Quando chegar a hora de cozinhar o feijão, pense nele. Quando chegar a hora de resolver o problema, se concentre nele no momento oportuno, e haverá uma saída. Quando estiver com amigos, ou num lugar especial, pense e desfrute o máximo daquele momento, porque ele é único e não tornará a se repetir da mesma forma.

Isso tá parecendo aquelas propagandas de cartão de crédito né? Eu sei. Mas tudo bem. O que importa é que é essa a lição maior que eu quero aprender nesse ano...

Para todos os meus amigos eu desejo muita felicidade, paciência, saúde, fé, esperança e muitos estudos e momentos a serem vividos. Sucesso e juízo em todas as decisões tomadas agora, e ao longo de todo o ano!

Já deu pra perceber que, de fato, Mário Quintana RULES no meu blog! Agora eu vou transcrever aquele poeminha dele, que a Glória Menezes tá recitando na propaganda.

Canção do Dia de Sempre

Tão bom viver dia a dia...
A vida assim jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como essas nuvens do céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência...esperança...
E a rosa louca dos ventos
presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...

terça-feira, novembro 23, 2004

Realmente não tem jeito!
Ou eu não sei o que escrever, ou penso demais no que escrever.
A partir de agora vai ser assim: quando essa "dúvida cruel" ficar por muito tempo, vou postar uns poemas por aqui.
Não esperem poemas racionais, ok? Aqui eles serão um meio pra pensar um pouco mais na vida...

(Tô viajando já aqui....)

Para a inauguração, conto mais uma vez com o amigo Mário Quintana! Enjoy it!

A VERDADEIRA ARTE DE VIAJAR

A gente deve sempre sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo...
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam logo ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!

Realmente não tem jeito!
Ou eu não sei o que escrever, ou penso demais no que escrever.
A partir de agora vai ser assim: quando essa "dúvida cruel" ficar por muito tempo, vou postar uns poemas por aqui.
Não esperem poemas racionais, ok? Aqui eles serão um meio pra pensar um pouco mais na vida...

(Tô viajando já aqui....)

Para a inauguração, conto mais uma vez com o amigo Mário Quintana! Enjoy it!

A VERDADEIRA ARTE DE VIAJAR

A gente deve sempre sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo...
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam logo ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!

domingo, setembro 12, 2004

Eita danado! Quanto tempo sem escrever aqui. Na verdade eu 'tava esperando que voltasse às aulas na faculdade, mas como DE FATO isso não aconteceu até agora (não posso chamar o que tenho visto até aqui de aula) resolvi escrever. De aula de verdade, eu tenho tido as de alemão! No começo eu realmente tava preocupada se eu iria realmente aprender ou se só estaria jogando dinheiro fora. Agora, depois de um mês de aulas, posso dizer que não é impossivel mas requer um pouco de atenção nos estudos.
Então, já que não tenho muito tempo ocupado nesse semestre, vou tentar escrever com mais frequência aqui, ok? Até logo! Tschüs!

segunda-feira, julho 19, 2004

Eu vi o filme no sábado (denovo), aí me deu vontade de transcrever esse diálogo aqui. Acho que foi a primeira vez que me deu vontade de chorar num desenho animado!

Diálogo entre Dory e Marlin em "Procurando Nemo", faixa 26, 01:21.

Dory: - Ei...
Marlin: - Dory... se não fosse você eu não teria chegado nem aqui. Por isso, obrigado.
Dory: - Ei, espera um pouco aí. Não, não, espera. Aonde você vai?
Marlin: - Acabou Dory. Chegamos tarde. O Nemo me deixou e eu vou pra casa agora.
Dory: - Não... não vai não. Pára! Por favor não vai embora... por favor. Ninguém nunca ficou comigo tanto tempo antes. E se você for, se você for... é que eu me lembro melhor das coisas com você, juro. Olha: "P. Sherman 42... uhm... 42..." Uhm... eu lembro dessa, eu lembro. Tá aqui, eu sei que tá aqui porque quando eu olho pra você eu... eu sei que tá aqui e eu... me sinto em casa quando... eu tô contigo. Por favor... eu não quero te perder, eu não quero esquecer.
Marlin: - Me desculpe Dory, mas eu.. quero.

Mas todos conhecem o final do filme né? E quem não sabe... o que é que 'tá esperando pra ver?!?! Esse é um dos melhores filmes de animação dos últimos tempos! Empatado praticamente com "O Rei Leão" na minha lista! Comentários, pls.